quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fados de Carlos Saura

Cansado de baterias ruidosas que impõem a ditadura da batida, vamos redescobrindo outras sonoridades...

terça-feira, 29 de junho de 2010

OS BOLEIROS DO MUNDIAL



Lá vi o jogo. Sem grande entusiasmo, diga-se. A selecção nacional jogou contra o Brasil e agora com a Espanha usando a mesma estratégia da Coreia do Norte: reforço da defesa, todos atrás da linha da bola, contenção, ver os outros jogarem, à espera de um passe tranviado que permitisse o contra-ataque mortífero. E os meninos mimados, com pés de chumbo, sem força nem garra.

Escrevo isto e sinto azia mental. Que é que estou p'raqui a fazer? Sou mais um dos milhões de treinadores de bancada que tudo sabem menos dar um pontapé numa bola. Coisa que só faço uma vez por ano, quando tenho cá os netos...

E agora, quem vai distrair-nos das trapalhadas das SCUTS, dos aumentos, das reformas, do diabo a sete?
Acabou o Mundial 2010. Continua o Portugal de sempre..

domingo, 27 de junho de 2010

ALPIARÇA À BEIRA DA FALÊNCIA



Alpiarça é um pequeno concelho do distrito de Santarém, criado pouco depois da implantação da  República, por iniciativa e influência de José Relvas.

Vejo agora no Jornal Alpiarcense que há uma dívida colossal acumulada por gestões autárquicas ruinosas, que estão a pôr em causa a própria existência do município.
Como foi possível chegar-se aqui?  
Custa-me ver assim a minha terra natal!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CANTAR, APESAR DE TUDO



“Por que cantamos”



De Manoel de Andrade para Mário Benedetti(*)



Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço

e já são tantos os caídos nesta guerra...

Se há uma possível emboscada em cada esquina

e temos que caminhar num chão minado...

“você perguntará por que cantamos”

Se a violência sitia os nossos actos

e a corrupção gargalha da justiça

Se respiramos esse ar abominável

impotentes diante do deboche...

“você perguntará por que cantamos”

Se o medo está tatuado em nossa agenda

e a perplexidade estampada em nosso olhar

se há um mantra entoado no silêncio

e as lágrimas repetem: até quando, até quando, até quando...

“você perguntará por que cantamos”

Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida e

porque um olhar ampara os nossos passos

Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel

da maldade

e porque nesse embate só o amor é invencível

Cantamos porque é imprescindível dar as mãos

e recompor, em cada dia, a

condição humana

Cantamos porque a paz é uma

bandeira solitária

a espera de um punho inumerável

Cantamos porque o pânico não retardará a primavera

e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada

Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora

e porque as estrelas e porque as rosas

Cantamos porque nos riachos e lá na fonte as águas cantam

e porque toda essa dor desaguará um dia.

Cantamos porque no trigal o grão amadurece

e porque a seiva cumprirá o seu destino

Cantamos porque os pássaros estão piando

e ninguém poderá silenciar seu canto.

Cantamos para saudar o Criador e a criatura

e porque alguém está parindo neste instante

Pelo encanto de cantar e pela esperança nós cantamos

e porque a utopia persiste a despeito da descrença

Cantamos porque nessa trincheira global, nessa ribalta,

nossa canção viverá para dizer por que cantamos.

Cantamos porque somos os trovadores desse impasse

e porque a poesia tem um pacto com a beleza.

E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo

o nosso sonho floresce deslumbrante.



Manoel de Andrade

Curitiba, Maio de 2003



(*)Escrevi estes versos motivado pelo belíssimo poema “POR QUE CANTAMOS” do poeta uruguaio MARIO BENEDETTI. Num tempo em que todos caminhamos sobre o “fio da navalha” me senti, como poeta, implicitamente convocado a também testemunhar por que cantamos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

ADEUS REVISTAS SEMANAIS?



No PÚBLICO de hoje (8 Junho 2010)

«Nos anos 80 queríamos revistas semanais. E hoje?
Por Susana Almeida Ribeiro
Longe vão os tempos em que as revistas semanais norte-americanas marcavam a agenda. As capas da Time e da Newsweek faziam e desfaziam reputações, pessoas, empresas e instituições. Era o tempo pré-Internet, pré-blogues e pré-redes sociais. Pré-notícias instantâneas em todo o lado. A toda a hora. Era o tempo em que as pessoas esperavam uma semana pelas reportagens, um tempo em que ainda fazia sentido juntar as palavras news e week

É uma piada recorrente. Nos EUA, quando alguém comenta uma notícia que leu na Newsweek, as pessoas perguntam-lhe se tem ido muitas vezes ao dentista. A revista está conotada com as casas dos avós e com os consultórios médicos. Apesar de ter servido de contrapeso liberal à conservadora Time e de ter mostrado sempre mais abertura aos temas da cultura popular, a verdade é que a Newsweek nunca se livrou do estigma de "segunda escolha" face à sua concorrente directa.

Publicada pela primeira vez há 77 anos, a Newsweek passou para o controlo do grupo que publica o The Washington Post em 1961. As décadas de 1980 e 1990 foram os anos de ouro das revistas semanais. Os artigos de capa faziam manchetes e marcavam a agenda das redacções. Todas as segundas-feiras, as revistas semanais chegavam às bancas como o selo de denominadores comuns para a nação.

Nos últimos tempos a Newsweek não esteve isenta de polémicas. A mais recente teve o rosto (e o corpo) da ex-futura-vice-presidente Sarah Palin. Sob o título Como é que se resolve um problema como a Sarah?, a ex-candidata foi fotografada em pose de miss, com uns calções de ginástica e o cotovelo apoiado numa bandeira americana. A capa foi apodada de sexista e mereceu críticas à esquerda e à direita.

Em 2005, a revista viu-se envolvida noutra polémica com um artigo que dava conta de que alguns militares americanos do centro de detenção de Guantánamo teriam alegadamente desrespeitado o livro sagrado dos muçulmanos ao atirarem um exemplar do Corão para uma latrina. A notícia, que acabou por revelar-se falsa, ateou conflitos no Afeganistão e chegou a fazer vítimas mortais, originando um tardio mea culpa editorial.

Fica igualmente para a história a decisão de não se avançar com a história sobre o affair da estagiária Monica Lewinsky com o Presidente Cliton, que acabou por ser tornada pública pelo Drudge Report, um site norte-americano com links para notícias de media, política e entretenimento. E o resto é história.

Para além destes pecadilhos editoriais, a Newsweek tem acumulado perdas na ordem dos milhões de dólares (29,3 milhões em 2009 e 16,1 milhões em 2008, entre 24 e 13 milhões de euros). Um quarto dos trabalhadores da revista perdeu o emprego nos últimos tempos. De uma circulação de 3,14 milhões de exemplares na primeira metade de 2000, a Newsweek passou para os actuais 1,5 milhões (nos EUA). De acordo com o Audit Bureau of Circulations, a circulação da Newsweek - bem como a da Time - regrediu hoje para os números registados em 1966.

Aproximando-se perigosamente do vermelho, a revista ainda tentou um relançamento no ano passado, altura em que apostou em mais artigos de opinião e mais reportagens de investigação (em vez de se limitar a passar a semana em revista), saindo para as bancas com um novo aspecto gráfico, apelando a um público mais dedicado e com maior poder de compra. Não foi suficiente. No dia 5 de Maio, foi anunciado aquilo que muita gente esperava: a The Washington Post Co. pôs o título à venda. Ainda não se sabe quem estará interessado em comprar a revista nem por quanto se poderá fazer o negócio, embora alguns analistas falem numa soma a rondar os dois milhões de dólares (aproximadamente 1,7 milhões de euros).

"A decisão é puramente económica", disse o director executivo do grupo, Donald E. Graham. "Eu não quis fazer isto, mas não conseguimos ver um caminho sustentável de lucro para a Newsweek", afirmou. "As perdas registadas na revista no período 2007-2009 bateram recordes. Estamos a explorar todas as opções para resolver o problema... No actual clima, a revista talvez se adapte melhor noutro lugar", disse ainda Donald Graham.

O director da Newsweek, Jon Meacham, a cuja falta de visão alguns atribuem a culpa pela queda em desgraça, fez saber recentemente no Daily Show de Jon Stewart que está a ponderar uma série de hipóteses, incluindo comprar o título ele mesmo, apoiado por um grupo de outros investidores. "Se alguém deve assumir a culpa por este fim, esse alguém sou eu - por não ter visto a tempo e não ter reagido da melhor maneira às mudanças introduzidas na nossa indústria", admitiu Meacham.

É isto o princípio do fim?

Alguns analistas consideram que era uma questão de tempo até que as revistas semanais começassem a capitular. Nos últimos anos, especialmente após a crise financeira mundial, o preço dos espaços publicitários caiu a pique e muitos anunciantes começaram a optar por publicitar os seus produtos em publicações dirigidas a nichos de mercado. A Newsweek teve no ano passado menos 26 por cento de páginas de publicidade. Revistas generalistas acabam por sofrer as consequências. A vontade de ser um denominador comum a toda uma nação tem essa desvantagem.

Paralelamente, a concorrência das actualizações ao segundo dos media on-line foi, provavelmente, a estocada final ao império magazinesco. A venda anunciada da Newsweek e - especula-se - a sua eventual transformação numa publicação totalmente digital são o exemplo acabado das transformações ocorridas nos últimos anos no panorama dos media.

"A questão aqui é simplesmente esta: a necessidade de notícias semanais diminuiu consideravelmente", explicou ao P2, num breve comentário por e-mail, Stuart Loory, professor da Faculdade de Jornalismo da Universidade do Missouri.

Os factos estão à vista: a Reader"s Digest entrou em bancarrota no ano passado, a BusinessWeek foi comprada por tuta e meia pela Bloomberg e a US News & World Report passou a publicar escassas dez edições por ano.

O problema reside no facto de já ninguém parecer necessitar de revistas que expliquem o que aconteceu durante a semana. Os jornais - em papel e on-line - fazem hoje análises instantâneas, em grande medida graças aos bloggers que atraem para o seu seio, e isso era a pièce de résistance dos magazines.

"As revistas semanais têm vindo a ser desafiadas a permanecerem relevantes, quer com notícias, quer com análise. Mas a Time parece estar a adaptar-se bem e a lucrar, ao passo que a Newsweek tem sempre ficado atrás da sua rival", explicou ao P2 Rick Edmonds, um analista de media do Poynter Institute. "Estou entre aqueles que pensam que o novo design da revista não resultou e que muitos dos artigos da nova Newsweek eram demasiado opinativos, pecavam por falta de reportagem e não eram assim tão interessantes", indicou Edmonds.


Se esta tendência continuar e se as pessoas comprarem cada vez menos jornais e revistas em papel, não é de estranhar que a própria Time desapareça das bancas. Os conteúdos disponibilizados na Net continuam a ser gratuitos - apesar do fim anunciado das edições livres do britânico The Times e do The New York Times - e a publicidade on-line não estar a crescer ao ritmo esperado (embora seja o único sector onde se prevê crescimento). Em 2009, a edição on-line da Newsweek fez "apenas" oito milhões de dólares de lucro (aproximadamente 6,7 milhões de euros).

Revolução tabletsQual é então o veredicto para o género magazinesco? O próprio Donald Graham admitiu à Newsweek não saber a resposta: "Sabemos há vários anos que as revistas semanais são muito populares entre os seus leitores. Vivemos num mundo muito complicado e as revistas semanais ajudam a compreendê-lo. Onde não conseguimos ter sucesso foi na transição para o digital."

Numa altura em que as plataformas de conteúdos gratuitos se multiplicam e em que as notícias se transformaram em commodities, a questão central é saber se um produto jornalístico é relevante e se se continuará a dar dinheiro por ele. Só o público poderá responder a esta pergunta.

Num recente artigo da Wired, o jornalista Eliot Van Buskirk escrevia que, agora que foi posta à venda, a Newsweek pode ser a "experiência laboratorial perfeita" para o título em dificuldades se reinventar no universo digital. "No advento de uma revolução a partir dos tablets, com um milhão de iPads vendidos em menos de um mês, que tal se um investidor inteligente decidisse fazer da Newsweek uma publicação apenas para tablets, sem edição impressa e com edição on-line paga?".

Para que a revista funcione no universo on-line, será necessário, porém, transformar radicalmente o site, que muitos analistas consideram ter ficado com o mesmo aspecto desde 1999.

Muitos também opinam igualmente que a salvação da Newsweek poderá estar numa fusão com a Slate, a revista on-line do mesmo grupo.

Nas próximas semanas ficará a conhecer-se o destino da Newsweek. O grupo quer ouvir os potenciais interessados e espera que a venda ocorra sem grandes sobressaltos, de forma a que a revista não perca aquilo que tem de mais importante: a sua reputação. "Apesar da Newsweek não estar em bom estado, penso que é muito provável que alguém a compre - o título ainda tem algum prestígio e provavelmente fará sentido em grupos como a Thomson-Reuters ou a Bloomberg", disse ao P2 Rick Edmonds.»

quarta-feira, 2 de junho de 2010

AMIZADES DA TRETA

Que dizer dos amigos que não são capazes de dizer "estou aqui"?

A amizade é uma palhaçada quando as pessoas que a têm não sabem usá-la.
Então deixemos de falar em amizade e passemos a cultivar uma polida convivência, a caminho da indiferença.