domingo, 29 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CANTAR


Por que cantamos”

De Manoel de Andrade para Mário Benedetti(*)

Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço
e são tantos os caídos nesta guerra...
Se há uma possível emboscada em cada esquina
e temos que caminhar num chão minado...
você perguntará por que cantamos”
Se a violência sitia os nossos actos
e a corrupção gargalha da justiça
Se respiramos esse ar abominável
impotentes diante do deboche...
você perguntará por que cantamos”
Se o medo está tatuado em nossa agenda
e a perplexidade estampada em nosso olhar
se há um mantra entoado no silêncio
e as lágrimas repetem: até quando, até quando, até quando...
você perguntará por que cantamos”
Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida e
porque um olhar ampara os nossos passos
Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel
da maldade
e porque nesse embate o amor é invencível
Cantamos porque é imprescindível dar as mãos
e recompor, em cada dia, a
condição humana
Cantamos porque a paz é uma
bandeira solitária
a espera de um punho inumerável
Cantamos porque o pânico não retardará a primavera
e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada
Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora
e porque as estrelas e porque as rosas
Cantamos porque nos riachos e na fonte as águas cantam
e porque toda essa dor desaguará um dia.
Cantamos porque no trigal o grão amadurece
e porque a seiva cumprirá o seu destino
Cantamos porque os pássaros estão piando
e ninguém poderá silenciar seu canto.
Cantamos para saudar o Criador e a criatura
e porque alguém está parindo neste instante
Pelo encanto de cantar e pela esperança nós cantamos
e porque a utopia persiste a despeito da descrença
Cantamos porque nessa trincheira global, nessa ribalta,
nossa canção viverá para dizer por que cantamos.
Cantamos porque somos os trovadores desse impasse
e porque a poesia tem um pacto com a beleza.
E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo
o nosso sonho floresce deslumbrante.

Manoel de Andrade
Curitiba, Maio de 2003

(*)Escrevi estes versos motivado pelo belíssimo poemaPOR QUE CANTAMOS” do poeta uruguaio MARIO BENEDETTI. Num tempo em que todos caminhamos sobre o “fio da navalhame senti, como poeta, implicitamente convocado a também testemunhar por que cantamos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

UM ALPIARCENSE ENTRE AS FOCAS




Alpiarça é como Portugal: capaz do pior e do melhor.
Quem havia de dizer que ali nasceu o ás dos domadores de mamíferos marinhos?
Veja-se AQUI e pasme-se.
Só posso bater palmas afincadamente, e pedir bis... bis... encore....

Para quem não quiser linkar - perdendo assim a possibilidade de visitar um belo blogue sobre Alpiarça - aqui fica o texto:

«Miguel Pais, nosso conterrâneo de Alpiarça, é um dos mais conceituado treinadores de mamíferos marinhos, sobretudo leões-marinhos, focas e golfinhos, que tem feito uma carreira quase exclusivamente internacional, pois tem sido contratado por alguns dos mais importantes parques a nível europeu para treinar mamíferos marinhos. Depois de alguns anos no Zoomarine do Algarve, foi convidado para abrir o Zoomarine Itália, nos arredores de Roma, onde permaneceu 4 anos. Na altura da sua permanência em Roma foi convidado a realizar uma conferência sobre as Focas, nomeadamente o seu comportamento na fase de gravidez, que foi muito aplaudida durante a realização da Conferência Mundial de Treinadores de Mamíferos Marinhos realizada no México. Foi depois contratado para trabalhar no Delfinário de Rimini, um dos maiores centros turísticos italianos nas margens do Mar Adriático. Este ano o convite surgiu do Mediterraneo Marine Park, situado em Malta onde se encontra neste momento em plena actividade.



Ao mesmo tempo o Miguel tem direccionado sua atenção sobre os cães e a aplicação dos métodos mais modernos e inovadores na interacção com os cães, nomeadamente ao nível da pedagogia e da psicologia canina, tendo como professor um dos mais conceituados técnicos mundiais nesta matéria, o italiano Roberto Marchesini, docente de Psicologia da Linguagem e da Comunicação na Universidade de Udine, Presidente da Sociedade Italiana de Ciência Comportamental Aplicada e director da Escola de Interacção Homem-Animal, nesta vertente tem em preparação a apresentação de alguns workshops sobre o modo de lidar e conviver com os cães, apresentação esta vocacionada para as escolas e para os que pretendam novas abordagens sobre a interacção com o fiel amigo .


Nota: Miguel Pais, é filho do ex-presidente da Junta de Freguesia de Alpiarça, José João Marques Pais»