terça-feira, 26 de outubro de 2010
Acordo Ortográfico: concorde-se ou não
Acordo Ortográfico: concorde-se ou não
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http://sobreisso.com/2010/03/23/novo-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa-principais-mudancas/
Vamos dar uma olhada nas principais mudanças que ocorreram na Língua Portuguesa devido ao Novo Acordo Ortográfico.
Hífen (-): deve ser usado com prefixo + h (super-homem), na duplicidade de vogais (semi-interno), na duplicidade de rr (hiper-requintado), deixa de ser usado com prefixo terminado em vogal + r ou s, que dobram (aintirreligioso, minissaia), também com prefixo terminado em vogal diferente da do elemento seguinte (autoestima).
Trema (ü): deixa de ser usado em nomes comuns.
Acento agudo (´): deixa de ser usado nos ditongos “éi” e “ói” das paroxítonas (ideia, heroico), também nos “í” e “ú” seguidos de ditongo nas paroxítonas (feiura, sainha).
Acento circunflexo (^): deixa de ser usado em “vêem” (eles veem), “crêem” (eles creem), “lêem” (eles leem), “dêem” (que eles deem), também em palavras terminadas com “ôo” (voo).
Não esqueça que “têm” (eles têm) continua com acento; e “tem” (ele tem) continua sem acento.
Para quem vai fazer provas ou concursos, é importante ver o edital. Caso nada conste, significa que serão aceitas as duas formas, a velha e a nova, pois a nova passa a ser lei apenas em 2012.
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http://www.ciberduvidas.com/controversias.php?rid=2151
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http://aeiou.visao.pt/guia-pratico-para-perceber-o-acordo-ortografico=f543282
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http://sobreisso.com/2010/03/23/novo-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa-principais-mudancas/
Vamos dar uma olhada nas principais mudanças que ocorreram na Língua Portuguesa devido ao Novo Acordo Ortográfico.
Hífen (-): deve ser usado com prefixo + h (super-homem), na duplicidade de vogais (semi-interno), na duplicidade de rr (hiper-requintado), deixa de ser usado com prefixo terminado em vogal + r ou s, que dobram (aintirreligioso, minissaia), também com prefixo terminado em vogal diferente da do elemento seguinte (autoestima).
Trema (ü): deixa de ser usado em nomes comuns.
Acento agudo (´): deixa de ser usado nos ditongos “éi” e “ói” das paroxítonas (ideia, heroico), também nos “í” e “ú” seguidos de ditongo nas paroxítonas (feiura, sainha).
Acento circunflexo (^): deixa de ser usado em “vêem” (eles veem), “crêem” (eles creem), “lêem” (eles leem), “dêem” (que eles deem), também em palavras terminadas com “ôo” (voo).
Não esqueça que “têm” (eles têm) continua com acento; e “tem” (ele tem) continua sem acento.
Para quem vai fazer provas ou concursos, é importante ver o edital. Caso nada conste, significa que serão aceitas as duas formas, a velha e a nova, pois a nova passa a ser lei apenas em 2012.
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http://www.ciberduvidas.com/controversias.php?rid=2151
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http://aeiou.visao.pt/guia-pratico-para-perceber-o-acordo-ortografico=f543282
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A GRANDE MARCHA FOI HÁ 75 ANOS
Mao Tse-tung na Grande Marcha
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Uirapuru - Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano
De vez em quando gosto de ouvir este canto magnífico. Mais uma vez...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Valsinha de Chico Buarque
Tal como a "Minha História", esta "Valsinha" é do melhor que alguma vez foi feito pela Música Popular Brasileira. A beleza sublime das coisas simples!
sábado, 2 de outubro de 2010
COISAS ÚTEIS QUE UM BURRO DIZ
O JUMENTO faz parte dos meus favoritos. Porque não fala à toa, é desalinhado partidariamente e é oportuno.
Aqui se prova que os burros têm razão quando dizem "e eu é que sou o burro...?"
Leiam-se estas judiciosas sugestões e perceba-se por que digo isto...
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medidas do governo contra a crise,
O jumento
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
OS LIVROS. OS LIVROS. OH! OS LIVROS!
Lido hoje no "BIBLIOTECÁRIO DE BABEL":
(...)
“Mas tem um método de leitura rápida?”, perguntam-me. Sim, claro que tenho. É o seguinte: faz cinquenta anos que passo uma grande parte do meu tempo a ler todo o tipo de obras, em todo o tipo de circunstâncias, para todo o tipo de fins. Como em qualquer actividade que se torna familiar (seja ela manual, artística ou desportiva), cria-se uma relação especial com o objecto em questão, no caso a coisa impressa (”São necessários muitos anos de trabalho para que as engrenagens cerebrais da leitura, já bem oleadas, deixem de ser conscientes”, Stanislas Dehaene). O importante não é ler depressa mas ler cada livro à velocidade que ele merece. É tão pernicioso demorar tempo demais com alguns do que ler outros demasiado rápido. Há livros que ficamos a conhecer folheando-os, outros que só compreendemos à segunda ou terceira leitura, outros ainda que poderemos reler com proveito toda a vida. Um policial lê-se em poucas horas, mas preparar uma aula sobre algumas páginas de The Waste Land, de T. S. Eliot, exige vários dias. Mas o cúmulo do desequilíbrio entre o tempo passado com um texto e a sua extensão estaria sem dúvida num trabalho de análise ao célebre monóstico de Apollinaire: “Et l’unique cordeau des trompettes marines”! Escrever um artigo para a imprensa sobre uma obra que acaba de ser publicada exige – pelo menos no que me diz respeito – duas leituras: a primeira para descobrir o livro enquanto leitor inocente, a segunda para dar uma ordem às impressões e ideias que o livro me suscitou. E depois, é um facto que esquecemos a maior parte do que lemos.»
(...)
Fica a referência a um ensaio sobre a leitura, a sair em 8 de Outubro p.f., base deste artigo:
Pierre Bayard, em Comment parler des livres que l’on n’a pas lus? (Minuit, 2007; Como falar dos livros que não lemos?, tradução de Maria Amaral e Sílvia Sacadura, Verso da Kapa, 2008)
terça-feira, 28 de setembro de 2010
BONECOS A PROPÓSITO...
O Antero Valério é um cartonista de mérito. E como é professor não deixa passar nada em claro...
Ver AQUI.
Ver AQUI.
domingo, 19 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Tom & Jerry - Cat Concerto
Um clássico da animação, feito e premiado nos anos 40. Um portento de graça!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
LEMBRAR NATÁLIA CORREIA
Faria hoje 87 anos.
Figura marcante da intelectualidade portuguesa entre os anos 50 e 80. Terror para alguns, deusa encantada para outros. O que conta hoje é a obra literária que nos legou.
AQUI podemos ler uma evocação muito interessante de Natália Correia.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
RELER ANTERO, SEMPRE...
Antero de Quental, Santa Cruz, Torres Vedras
Está na hora de reler as "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares", de Antero de Quental. Está lá tudo...
NÃO ACEITAR O QUE PARECE ADQUIRIDO COMO ARTIGO DE FÉ
Fátima não é artigo de fé para os católicos. Mas às vezes até parece que sim, sobretudo quando o próprio chefe da Igreja Católica vem a Fátima, parecendo dar aval a uma construção humana que muitos ainda atribuem ao divino.
Aprecio os homens que sabem dizer "NÃO!" Caso do Padre Mário de Oliveira.
Veja-se esta carta dele aos bispos portugueses, em 2007:
Meus irmãos Bispos
1. Completam-se, agora, como sabeis, 90 anos (1917-2007) sobre a grosseira mentira, posta a circular em 1917 no nosso país acerca dumas pseudo aparições de nossa senhora, sempre ao dia 13 de cada mês e durante seis meses consecutivos, de Maio a Outubro, a três crianças da freguesia de Fátima. Uma mentira que alguns párocos de Ourém e arredores logo habilmente aproveitaram (se é que não foram eles próprios os seus inventores, como tudo leva a crer que sim) e, depois, tudo fizeram para que ela fosse acolhida e interiorizada pelas populações católicas como a maior das verdades. Este crime sem perdão, que também perfaz um pecado contra o Espírito Santo viria a ser publicamente corroborado e apoiado, não muito tempo depois, por alguns bispos residenciais do país, nomeadamente, de Lisboa, Évora, Beja, Faro, Coimbra, Braga, Angra, Funchal e até do Porto, numa operação concertada, com tudo de maquiavélico e de perverso. Aliás, a diocese do Porto até cedeu um dos seus padres cónegos para 1.º Bispo residencial da Diocese de Leiria, restaurada, poucos meses depois (e não se diga que foi mera coincidência!). D. José Alves Correia viria a revelar-se como a principal peça-chave na consolidação definitiva de toda esta ignomínia.
2. A grosseira mentira teve, por isso, desde a primeira hora, pés para andar, até porque, além do mais, as populações católicas do país eram na altura (infelizmente, ainda hoje são!) populações esmagadoramente analfabetas em teologia jesuânica e viviam, por aqueles dias, visivelmente desorientadas e em pânico, devido à recente implantação da República e às drásticas medidas que aquela não se inibiu de tomar, e bem, contra os seculares e até então intocáveis privilégios do clero e da Igreja católica romana em Portugal.
Por outro lado, eram também populações completamente aterrorizadas por catequeses e pregações terroristas, proferidas noite dentro ou antes do nascer do sol, à luz fantasmagórica de velas (não havia luz eléctrica), proferidas do alto dos púlpitos paroquiais pelos padres da chamada Santa Missão, todas elas inspiradas no mais terrorista dos livros portugueses do século XIX que dá pelo nome de Missão Abreviada, escrito por um padre português, de seu nome Manoel Couto, ele próprio um perturbado e aterrorizado capelão de freiras em Chaves que via demónios em todo o lado, pecados mortais em todas as acções dos seres humanos, mesmo as mais inocentes, como dançar, namorar, abraçar e beijar, e horrendos castigos de Deus concretizados em insuportáveis labaredas do inferno que torturavam e faziam ganir como cães raivosos, dia e noite e por toda a eternidade, as almas dos pobres pecadores condenados, praticamente todas as pessoas até então falecidas (basta ver que, no dizer dessas terroristas catequeses e pregações, era mais fácil encontrar um corvo branco do que salvar-se uma alma!!!).
3. Digo-vos aqui publicamente, meus irmãos Bispos, e sem que a voz e a mão me tremam: São 90 anos de mentira, a mais grosseira e a mais cruel. E 90 anos de crime, o mais blasfemo e o mais horrendo, porque os seus mentores e divulgadores não hesitaram nem hesitam em meter os nomes de Deus, de Jesus e de Maria, sua mãe, em todo este “cozinhado” eclesiástico-católico sem pés nem cabeça, convertido, com o passar dos anos, numa engenhosa fábrica de fazer dinheiro sem paralelo no resto do país, porventura, até na Europa, totalmente isento de impostos (não é por acaso que qualquer congregação religiosa de frades ou de freiras não descansou, enquanto não conseguiu abrir uma casa em Fátima, o mais espaçosa possível, para nela acolher “peregrinos”, pois claro!), e num espaço-altar onde se promove e alimenta um certo tipo de cristianismo católico desgraçado, sem dúvida, o principal responsável por muito do saudável ateísmo generalizado com que hoje estamos cada vez mais confrontados no país e na Europa ocidental. (E como se não bastassem a enorme basílica-túmulo que lá funciona e a espaçosa esplanada com a sua capelinha-cofreforte-ou-banco, ainda se lhes junta este ano mais uma medonha Igreja, denominada da SS.ª Trindade, como se Deus Vivo, o de Jesus, alguma vez vivesse em templos construídos pela mão dos homens, nomeadamente, os homens do poder e dos privilégios, como são os clérigos que nesses locais, mentirosamente ditos sagrados, a tudo presidem como pequenos deuses infalíveis e intocáveis!...)
4. Quem lê com um mínimo de atenção ilustrada e evangélica e também com um mínimo de sentido de dignidade humana, a Documentação Critica de Fátima (hoje, já com vários volumes publicados), compilada com o propósito expresso de justificar cientificamente a veracidade das “aparições”, só pode concluir que, do primeiro ao último momento, tudo aquilo está atolado/conspurcado por pés, mãos e cabeças de clérigos e de bispos residenciais, completamente esvaziados de teologia jesuânica, todos firmemente apostados em impor aquela grosseira mentira ao país e ao mundo. Não há em todo o processo uma única voz dotada de bom senso e de sanidade mental e teológica. Todos os intervenientes actuam manifestamente com o típico espírito de zelosos “cruzados de Fátima”, numa causa que a hierarquia católica por nada deste mundo quis que ficasse pelo caminho, porque representava o seu maior trunfo-vingança contra a República e contra os seus nobres ideais de Verdade, de Liberdade, de Igualdade, de Justiça e de Dignidade humana.
5. O processo que se arrastou, ao longo destes últimos 90 anos e vai certamente prosseguir por muitos mais tem infelizmente contado com a criminosa cumplicidade, feita de distanciamento e de silêncio, de intelectuais católicos e não católicos, inclusive de teólogos e biblistas de todas as Igrejas, que teimam em optar pelo faz-de-conta, como se não fosse nada com eles. E, assim, o que pode ter começado por ser um ingénuo teatrinho catequético, concebido pelos padres da Santa Missão para tentar impor às populações das aldeias a reza do terço, a pia devoção ao Imaculado Coração de Maria e a confissão mensal, e também para meter algum “medo” e “respeito” aos “maçons”que fizeram a revolução da República, engrossou depois, através dos tempos, como um caudal de águas envenenadas, sempre com novos e surpreendentes dados, que nem os principais protagonistas de 1917 conheciam, e que foram sucessivamente acrescentados por clérigos sem escrúpulos, segundo as necessidades e as conveniências de cada momento histórico.
As delirantes Memórias da Irmã Lúcia, iniciadas em 1935 por pressão desses mesmos clérigos que faziam da pobre freira gato-sapato, são, neste particular, o que há de mais aberrante exemplo de manipulação clerical e de delírio eclesiástico. Mas são essas famigeradas Memórias que estão na origem da chamada “Fátima Dois”, por sinal, ainda totalmente desconhecida à data (1930) em que o 1.º Bispo de Leiria publicou a sua Carta Pastoral a dar como “dignas de crédito” as aparições e toda a mentira de Fátima que elas objectivamente constituem. Será que vós, meus irmãos bispos, não sabeis estas coisas? Será que preferis ser cegos e guias cegos?
6. Na retaguarda de toda esta mentira, tem estado sempre, desde o primeiro momento até aos nossos dias, um núcleo duro de cérebros clericais, poucos, mas bem concertados entre si. Ora, vestiram o papel de jornalistas que faziam caricatas perguntas às três crianças, ou o papel de inquiridores sobre o “fenómeno”, junto de crédulos e submissos paroquianos escolhidos a dedo. Eles próprios deram as respostas a essas perguntas como melhor convinha aos seus maquiavélicos propósitos (nada foi deixado ao acaso, mas foi assim que nasceu a chamada Documentação crítica de Fátima, toda ela cheia de parra e uva nenhuma, compilada/tratada “cientificamente” e editada, também ela por outros clérigos!); ora vestiram o papel de confessores e de directores espirituais das crianças, sobretudo da sobrevivente Lúcia, depois que esta foi empurrada por eles para a vida de freira de clausura (uma barbaridade sem nome, muito pior do que um ocasional crime de pedofilia!); ora vestiram e ainda vestem o papel de bispos que tudo aprovam e justificam como do interesse de Deus (para este tipo de eclesiásticos, os interesses da Igreja, mesmo os mais inconfessáveis e perversos são sempre interesses de Deus!); e, finalmente, até vestiram o papel de papa de Roma, com destaque para o polaco João Paulo II, um compulsivo fatimista primário, porventura bem-intencionado, mas que tudo tentou para levar de novo a Igreja do Vaticano II aos tempos e às alienantes devoções pre-conciliares, sem se aperceber que todas elas são pagãs, deístas, inumanas, e referentes ao universo religioso das deusas e dos deuses inventados por ancestrais medos das populações não ilustradas e não evangelizadas.
7. Como já disse, nada foi deixado ao acaso, desde o primeiro instante. Até que, em Outubro de 1930, a Mentira das aparições foi declarada digna de crédito pelo 1.º Bispo da restaurada diocese de Leiria, mediante uma Carta Pastoral que, só por si, deveria fazer corar de vergonha a Igreja do Concílio Vaticano II. O documento episcopal, datado de 13 de Outubro de 1930 foi publicado na íntegra, três dias antes, na edição de 10 de Outubro pelo diário católico “Novidades”!!! Apoia-se todo ele num extenso e prolixo Relatório, escrito pelo Cónego Nunes Formigão (querem agora beatificá-lo e canonizá-lo, certamente como recompensa pelos serviços que prestou à causa da mentira de Fátima!), o qual, por sua vez, quase se limita a transcrever pedaços inteiros dos delirantes livros que ele próprio havia escrito e editado anteriormente, sempre sob o pseudónimo de Visconde de Montelo, com o notório objectivo de impor como verdade a mentira de Fátima ao país e ao mundo.
8. A data escolhida para a aprovação oficial da mentira de Fátima também não foi inocente. O Estado Novo de Salazar dava então os primeiros passos e carecia como de pão para a boca duma mãozinha do “céu” (entenda-se, dos clérigos católicos) para se impor definitivamente no país contra a República de 1910 e contra os seus nobres ideais (e não é que há até uma carta atribuída à delirante Irmã Lúcia que fala de Salazar como o escolhido por Deus para conduzir de novo o nosso país aos caminhos da religião católica?!). Ora, como um favor com outro favor se paga, Salazar, uma vez consolidado no Poder, lá assinou a Concordata com o Estado do Vaticano e restituiu à Igreja portuguesa os privilégios dos clérigos e muito do património eclesiástico anteriormente nacionalizado.
9. Entretanto, das três crianças instrumentalizadas para ajudar a dar corpo à mentira de Fátima, todas elas de muito tenra idade e sem saberem ler nem escrever, Jacinta e Francisco eram irmãos de sangue, primos e vizinhos de Lúcia, a mais velhinha, a quem por isso coube naturalmente o papel de actriz principal em todo aquele teatrinho de mau gosto. Foi também a única que sobreviveu a todo aquele frenético alvoroço eclesiástico das pseudo-aparições, já que Jacinta e Francisco, de tão fragilizados e aterrorizados pelo medo do inferno incutido pelos pregadores da Santa Missão não resistiram à pneumónica que, pouco tempo depois da mentira de Fátima, grassou na região e dizimou muita gente (como vêem, meus irmãos Bispos, nem a senhora de Fátima, com tanta fama de milagreira lhes valeu, nem valeu às populações empobrecidas da região). Mas o que ainda mais dói, na morte antes de tempo destas duas crianças irmãs é o escandaloso abandono a que Jacinta e Francisco foram votados, durante a doença, por parte dos clérigos que as utilizaram, como a deixar perceber que até lhes convinha que elas morressem. A mentira de Fátima teria assim mais facilmente pés para andar. O que veio a suceder, sobretudo depois que conseguiram manter sequestrada por toda a vida e em progressivo estado de delírio, a única sobrevivente, Lúcia.
A idealização e a pobre realidade...
!...)
Aprecio os homens que sabem dizer "NÃO!" Caso do Padre Mário de Oliveira.
Veja-se esta carta dele aos bispos portugueses, em 2007:
Meus irmãos Bispos
1. Completam-se, agora, como sabeis, 90 anos (1917-2007) sobre a grosseira mentira, posta a circular em 1917 no nosso país acerca dumas pseudo aparições de nossa senhora, sempre ao dia 13 de cada mês e durante seis meses consecutivos, de Maio a Outubro, a três crianças da freguesia de Fátima. Uma mentira que alguns párocos de Ourém e arredores logo habilmente aproveitaram (se é que não foram eles próprios os seus inventores, como tudo leva a crer que sim) e, depois, tudo fizeram para que ela fosse acolhida e interiorizada pelas populações católicas como a maior das verdades. Este crime sem perdão, que também perfaz um pecado contra o Espírito Santo viria a ser publicamente corroborado e apoiado, não muito tempo depois, por alguns bispos residenciais do país, nomeadamente, de Lisboa, Évora, Beja, Faro, Coimbra, Braga, Angra, Funchal e até do Porto, numa operação concertada, com tudo de maquiavélico e de perverso. Aliás, a diocese do Porto até cedeu um dos seus padres cónegos para 1.º Bispo residencial da Diocese de Leiria, restaurada, poucos meses depois (e não se diga que foi mera coincidência!). D. José Alves Correia viria a revelar-se como a principal peça-chave na consolidação definitiva de toda esta ignomínia.
2. A grosseira mentira teve, por isso, desde a primeira hora, pés para andar, até porque, além do mais, as populações católicas do país eram na altura (infelizmente, ainda hoje são!) populações esmagadoramente analfabetas em teologia jesuânica e viviam, por aqueles dias, visivelmente desorientadas e em pânico, devido à recente implantação da República e às drásticas medidas que aquela não se inibiu de tomar, e bem, contra os seculares e até então intocáveis privilégios do clero e da Igreja católica romana em Portugal.
Por outro lado, eram também populações completamente aterrorizadas por catequeses e pregações terroristas, proferidas noite dentro ou antes do nascer do sol, à luz fantasmagórica de velas (não havia luz eléctrica), proferidas do alto dos púlpitos paroquiais pelos padres da chamada Santa Missão, todas elas inspiradas no mais terrorista dos livros portugueses do século XIX que dá pelo nome de Missão Abreviada, escrito por um padre português, de seu nome Manoel Couto, ele próprio um perturbado e aterrorizado capelão de freiras em Chaves que via demónios em todo o lado, pecados mortais em todas as acções dos seres humanos, mesmo as mais inocentes, como dançar, namorar, abraçar e beijar, e horrendos castigos de Deus concretizados em insuportáveis labaredas do inferno que torturavam e faziam ganir como cães raivosos, dia e noite e por toda a eternidade, as almas dos pobres pecadores condenados, praticamente todas as pessoas até então falecidas (basta ver que, no dizer dessas terroristas catequeses e pregações, era mais fácil encontrar um corvo branco do que salvar-se uma alma!!!).
3. Digo-vos aqui publicamente, meus irmãos Bispos, e sem que a voz e a mão me tremam: São 90 anos de mentira, a mais grosseira e a mais cruel. E 90 anos de crime, o mais blasfemo e o mais horrendo, porque os seus mentores e divulgadores não hesitaram nem hesitam em meter os nomes de Deus, de Jesus e de Maria, sua mãe, em todo este “cozinhado” eclesiástico-católico sem pés nem cabeça, convertido, com o passar dos anos, numa engenhosa fábrica de fazer dinheiro sem paralelo no resto do país, porventura, até na Europa, totalmente isento de impostos (não é por acaso que qualquer congregação religiosa de frades ou de freiras não descansou, enquanto não conseguiu abrir uma casa em Fátima, o mais espaçosa possível, para nela acolher “peregrinos”, pois claro!), e num espaço-altar onde se promove e alimenta um certo tipo de cristianismo católico desgraçado, sem dúvida, o principal responsável por muito do saudável ateísmo generalizado com que hoje estamos cada vez mais confrontados no país e na Europa ocidental. (E como se não bastassem a enorme basílica-túmulo que lá funciona e a espaçosa esplanada com a sua capelinha-cofreforte-ou-banco, ainda se lhes junta este ano mais uma medonha Igreja, denominada da SS.ª Trindade, como se Deus Vivo, o de Jesus, alguma vez vivesse em templos construídos pela mão dos homens, nomeadamente, os homens do poder e dos privilégios, como são os clérigos que nesses locais, mentirosamente ditos sagrados, a tudo presidem como pequenos deuses infalíveis e intocáveis!...)
4. Quem lê com um mínimo de atenção ilustrada e evangélica e também com um mínimo de sentido de dignidade humana, a Documentação Critica de Fátima (hoje, já com vários volumes publicados), compilada com o propósito expresso de justificar cientificamente a veracidade das “aparições”, só pode concluir que, do primeiro ao último momento, tudo aquilo está atolado/conspurcado por pés, mãos e cabeças de clérigos e de bispos residenciais, completamente esvaziados de teologia jesuânica, todos firmemente apostados em impor aquela grosseira mentira ao país e ao mundo. Não há em todo o processo uma única voz dotada de bom senso e de sanidade mental e teológica. Todos os intervenientes actuam manifestamente com o típico espírito de zelosos “cruzados de Fátima”, numa causa que a hierarquia católica por nada deste mundo quis que ficasse pelo caminho, porque representava o seu maior trunfo-vingança contra a República e contra os seus nobres ideais de Verdade, de Liberdade, de Igualdade, de Justiça e de Dignidade humana.
5. O processo que se arrastou, ao longo destes últimos 90 anos e vai certamente prosseguir por muitos mais tem infelizmente contado com a criminosa cumplicidade, feita de distanciamento e de silêncio, de intelectuais católicos e não católicos, inclusive de teólogos e biblistas de todas as Igrejas, que teimam em optar pelo faz-de-conta, como se não fosse nada com eles. E, assim, o que pode ter começado por ser um ingénuo teatrinho catequético, concebido pelos padres da Santa Missão para tentar impor às populações das aldeias a reza do terço, a pia devoção ao Imaculado Coração de Maria e a confissão mensal, e também para meter algum “medo” e “respeito” aos “maçons”que fizeram a revolução da República, engrossou depois, através dos tempos, como um caudal de águas envenenadas, sempre com novos e surpreendentes dados, que nem os principais protagonistas de 1917 conheciam, e que foram sucessivamente acrescentados por clérigos sem escrúpulos, segundo as necessidades e as conveniências de cada momento histórico.
As delirantes Memórias da Irmã Lúcia, iniciadas em 1935 por pressão desses mesmos clérigos que faziam da pobre freira gato-sapato, são, neste particular, o que há de mais aberrante exemplo de manipulação clerical e de delírio eclesiástico. Mas são essas famigeradas Memórias que estão na origem da chamada “Fátima Dois”, por sinal, ainda totalmente desconhecida à data (1930) em que o 1.º Bispo de Leiria publicou a sua Carta Pastoral a dar como “dignas de crédito” as aparições e toda a mentira de Fátima que elas objectivamente constituem. Será que vós, meus irmãos bispos, não sabeis estas coisas? Será que preferis ser cegos e guias cegos?
6. Na retaguarda de toda esta mentira, tem estado sempre, desde o primeiro momento até aos nossos dias, um núcleo duro de cérebros clericais, poucos, mas bem concertados entre si. Ora, vestiram o papel de jornalistas que faziam caricatas perguntas às três crianças, ou o papel de inquiridores sobre o “fenómeno”, junto de crédulos e submissos paroquianos escolhidos a dedo. Eles próprios deram as respostas a essas perguntas como melhor convinha aos seus maquiavélicos propósitos (nada foi deixado ao acaso, mas foi assim que nasceu a chamada Documentação crítica de Fátima, toda ela cheia de parra e uva nenhuma, compilada/tratada “cientificamente” e editada, também ela por outros clérigos!); ora vestiram o papel de confessores e de directores espirituais das crianças, sobretudo da sobrevivente Lúcia, depois que esta foi empurrada por eles para a vida de freira de clausura (uma barbaridade sem nome, muito pior do que um ocasional crime de pedofilia!); ora vestiram e ainda vestem o papel de bispos que tudo aprovam e justificam como do interesse de Deus (para este tipo de eclesiásticos, os interesses da Igreja, mesmo os mais inconfessáveis e perversos são sempre interesses de Deus!); e, finalmente, até vestiram o papel de papa de Roma, com destaque para o polaco João Paulo II, um compulsivo fatimista primário, porventura bem-intencionado, mas que tudo tentou para levar de novo a Igreja do Vaticano II aos tempos e às alienantes devoções pre-conciliares, sem se aperceber que todas elas são pagãs, deístas, inumanas, e referentes ao universo religioso das deusas e dos deuses inventados por ancestrais medos das populações não ilustradas e não evangelizadas.
7. Como já disse, nada foi deixado ao acaso, desde o primeiro instante. Até que, em Outubro de 1930, a Mentira das aparições foi declarada digna de crédito pelo 1.º Bispo da restaurada diocese de Leiria, mediante uma Carta Pastoral que, só por si, deveria fazer corar de vergonha a Igreja do Concílio Vaticano II. O documento episcopal, datado de 13 de Outubro de 1930 foi publicado na íntegra, três dias antes, na edição de 10 de Outubro pelo diário católico “Novidades”!!! Apoia-se todo ele num extenso e prolixo Relatório, escrito pelo Cónego Nunes Formigão (querem agora beatificá-lo e canonizá-lo, certamente como recompensa pelos serviços que prestou à causa da mentira de Fátima!), o qual, por sua vez, quase se limita a transcrever pedaços inteiros dos delirantes livros que ele próprio havia escrito e editado anteriormente, sempre sob o pseudónimo de Visconde de Montelo, com o notório objectivo de impor como verdade a mentira de Fátima ao país e ao mundo.
8. A data escolhida para a aprovação oficial da mentira de Fátima também não foi inocente. O Estado Novo de Salazar dava então os primeiros passos e carecia como de pão para a boca duma mãozinha do “céu” (entenda-se, dos clérigos católicos) para se impor definitivamente no país contra a República de 1910 e contra os seus nobres ideais (e não é que há até uma carta atribuída à delirante Irmã Lúcia que fala de Salazar como o escolhido por Deus para conduzir de novo o nosso país aos caminhos da religião católica?!). Ora, como um favor com outro favor se paga, Salazar, uma vez consolidado no Poder, lá assinou a Concordata com o Estado do Vaticano e restituiu à Igreja portuguesa os privilégios dos clérigos e muito do património eclesiástico anteriormente nacionalizado.
9. Entretanto, das três crianças instrumentalizadas para ajudar a dar corpo à mentira de Fátima, todas elas de muito tenra idade e sem saberem ler nem escrever, Jacinta e Francisco eram irmãos de sangue, primos e vizinhos de Lúcia, a mais velhinha, a quem por isso coube naturalmente o papel de actriz principal em todo aquele teatrinho de mau gosto. Foi também a única que sobreviveu a todo aquele frenético alvoroço eclesiástico das pseudo-aparições, já que Jacinta e Francisco, de tão fragilizados e aterrorizados pelo medo do inferno incutido pelos pregadores da Santa Missão não resistiram à pneumónica que, pouco tempo depois da mentira de Fátima, grassou na região e dizimou muita gente (como vêem, meus irmãos Bispos, nem a senhora de Fátima, com tanta fama de milagreira lhes valeu, nem valeu às populações empobrecidas da região). Mas o que ainda mais dói, na morte antes de tempo destas duas crianças irmãs é o escandaloso abandono a que Jacinta e Francisco foram votados, durante a doença, por parte dos clérigos que as utilizaram, como a deixar perceber que até lhes convinha que elas morressem. A mentira de Fátima teria assim mais facilmente pés para andar. O que veio a suceder, sobretudo depois que conseguiram manter sequestrada por toda a vida e em progressivo estado de delírio, a única sobrevivente, Lúcia.
10. Eis, meus irmãos Bispos o que achei por bem dizer-vos nesta ocasião dos 90 anos da mentira de Fátima. Não me queirais mal por isso. Sabei que o que me move é o amor à causa do Evangelho que, como presbítero da Igreja do Porto, me cumpre anunciar oportuna e inoportunamente. Ai de mim, se não evangelizar. Bem sei que a mentira de Fátima é por vós oficialmente apresentada, desde a primeira hora, como uma epifania de Deus. Mas esse é o seu pecado maior. Porque a Deus, o de Jesus, nunca ninguém o viu nem verá. “O Filho unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, é que O deu a conhecer" (Jo 1, 18). Sabeis como eu que o que não for assim é mentira, delírio, perversão demoníaca. Nem argumenteis que há fenómenos que nos ultrapassam e que não somos capazes de explicar. Porque, em nome da Fé de Jesus, uma coisa sempre teremos de dizer: Pois se não sabeis explicar este ou aquele fenómeno, investigai mais, até conseguirdes. E, enquanto não conseguirdes, livrai-vos de, em momento algum admitir que pode ser uma manifestação miraculosa de Deus. Nesse momento, abristes a porta à idolatria, a mais abjecta. E não será por sermos um país caído em idolatria, praticamente desde a fundação da nacionalidade, que somos hoje o povo que somos? Pensai nisto que vos digo, meus irmãos bispos. E, se tiverdes coragem, mudai radicalmente de vida e de Deus. Abandonai o falso Deus da senhora de Fátima, com tudo de vampiro e de demoníaco, e deixai-vos amar/conduzir pelo Deus Vivo, o de Jesus. E de Maria. Deixo-vos o meu afecto e a minha paz.
A idealização e a pobre realidade...
!...)
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Padre Mário de Oliveira
domingo, 29 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
CANTAR
“Por que cantamos”
De Manoel de Andrade para Mário Benedetti(*)
Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço
e já são tantos os caídos nesta guerra ...
Se há uma possível emboscada em cada esquina
e temos que caminhar num chão minado...
“você perguntará por que cantamos”
Se a violência sitia os nossos actos
e a corrupção gargalha da justiça
Se respiramos esse ar abominá vel
impotentes diante do deboche ...
“você perguntará por que cantamos”
Se o medo está tatuado em nossa agenda
e a perplexidade estampada em nosso olhar
se há um mantra entoado no silêncio
e as lágrimas repetem: até quando , até quando , até quando ...
“você perguntará por que cantamos”
Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida e
Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel
da maldade
e porque nesse embate só o amor é invencível
Cantamos porque é imprescindível dar as mãos
e recompor , em cada dia , a
Cantamos porque a paz é uma
a espera de um punho inumerável
Cantamos porque o pânico não retardará a primavera
e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada
Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora
e porque as estrelas e porque as rosas
Cantamos porque nos riachos e lá na fonte as águas cantam
e porque toda essa dor desaguará um dia .
Cantamos porque no trigal o grão amadurece
e porque a seiva cumprirá o seu destino
Cantamos porque os pássaros estão piando
e ninguém poderá silenciar seu canto .
Cantamos para saudar o Criador e a criatura
e porque alguém está parindo neste instante
e porque a utopia persiste a despeito da descrença
Cantamos porque nessa trincheira global , nessa ribalta ,
Cantamos porque somos os trovadores desse impasse
e porque a poesia tem um pacto com a beleza .
E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo
o nosso sonho floresce deslumbrante .
Manoel de Andrade
Curitiba, Maio de 2003
(*)Escrevi estes versos motivado pelo belíssimo poema “POR QUE CANTAMOS” do poeta uruguaio MARIO BENEDETTI. Num tempo em que todos caminhamos sobre o “fio da navalha ” me senti, como poeta , implicitamente convocado a também testemunhar por que cantamos.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
UM ALPIARCENSE ENTRE AS FOCAS
Alpiarça é como Portugal: capaz do pior e do melhor.
Quem havia de dizer que ali nasceu o ás dos domadores de mamíferos marinhos?
Veja-se AQUI e pasme-se.
Só posso bater palmas afincadamente, e pedir bis... bis... encore....
Para quem não quiser linkar - perdendo assim a possibilidade de visitar um belo blogue sobre Alpiarça - aqui fica o texto:
«Miguel Pais, nosso conterrâneo de Alpiarça, é um dos mais conceituado treinadores de mamíferos marinhos, sobretudo leões-marinhos, focas e golfinhos, que tem feito uma carreira quase exclusivamente internacional, pois tem sido contratado por alguns dos mais importantes parques a nível europeu para treinar mamíferos marinhos. Depois de alguns anos no Zoomarine do Algarve, foi convidado para abrir o Zoomarine Itália, nos arredores de Roma, onde permaneceu 4 anos. Na altura da sua permanência em Roma foi convidado a realizar uma conferência sobre as Focas, nomeadamente o seu comportamento na fase de gravidez, que foi muito aplaudida durante a realização da Conferência Mundial de Treinadores de Mamíferos Marinhos realizada no México. Foi depois contratado para trabalhar no Delfinário de Rimini, um dos maiores centros turísticos italianos nas margens do Mar Adriático. Este ano o convite surgiu do Mediterraneo Marine Park, situado em Malta onde se encontra neste momento em plena actividade.
Ao mesmo tempo o Miguel tem direccionado sua atenção sobre os cães e a aplicação dos métodos mais modernos e inovadores na interacção com os cães, nomeadamente ao nível da pedagogia e da psicologia canina, tendo como professor um dos mais conceituados técnicos mundiais nesta matéria, o italiano Roberto Marchesini, docente de Psicologia da Linguagem e da Comunicação na Universidade de Udine, Presidente da Sociedade Italiana de Ciência Comportamental Aplicada e director da Escola de Interacção Homem-Animal, nesta vertente tem em preparação a apresentação de alguns workshops sobre o modo de lidar e conviver com os cães, apresentação esta vocacionada para as escolas e para os que pretendam novas abordagens sobre a interacção com o fiel amigo .
Nota: Miguel Pais, é filho do ex-presidente da Junta de Freguesia de Alpiarça, José João Marques Pais»
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Jornal Alpiarcense
sexta-feira, 30 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Seja um engenheiro em 12 aulas práticas
Este blogue apoia as "NOVAS OPORTUNIDADES".
Aproveite as férias, faça-se "Engenheiro" ou, mesmo, "Sr. Engenheiro".
sexta-feira, 23 de julho de 2010
AS MULHERES DE CAMILO...
Parece que Camilo Castelo Branco sofreu muito com as mulheres. O que é bem feito porque as mulheres também sofreram muito com ele.
Andando eu pela leitura de mais um dos seus impagáveis romances ("Coração, Cabeça, Estômago"), estorci-me a rir com esta sextilha de truz:
Andando eu pela leitura de mais um dos seus impagáveis romances ("Coração, Cabeça, Estômago"), estorci-me a rir com esta sextilha de truz:
Mulher!, em ânsias me estorço,
Punge-me dentro o remorso
De te não calcar aos pés!
Tinha uma crença... mataste-a!
Tinha uma luz... apagaste-a!...
Mulher!, que monstro tu és!
Isto é que era poesia! Directa ao assunto, a escorrer pus da alma...
A ver se consigo escrever uma coisa parecida sobre alguns políticos que conheço!
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Camilo Castelo Branco e as mulheres
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Funny (JK Wedding Entrance) jill and kevin unexpected divorce hearing en...
Ir a um casamento é uma das formas mais enfadonhas de passar um dia, é ou não é?
Mas estes resolveram o problema dos convidados. Puro divertimento!
Eles vão casar-se ou divorciar-se? As duas coisas, pelos vistos...
terça-feira, 20 de julho de 2010
Amazon já vende mais 'e-books' do que livros impressos - Ciência - DN
Amazon já vende mais 'e-books' do que livros impressos - Ciência - DN
O livro, tal como o conhecemos, tende a acabar. Para bem da leitura?
É um facto que os problemas ecológicos derivados da produção de papel são irresolúveis a médio prazo.
Mas a produção de material electrónico também tem problemas. A verdade é que estamos num tempo de viragem e esta notícia é elucidativa.
Onde estaremos daqui a dez ou vinte anos?
O livro, tal como o conhecemos, tende a acabar. Para bem da leitura?
É um facto que os problemas ecológicos derivados da produção de papel são irresolúveis a médio prazo.
Mas a produção de material electrónico também tem problemas. A verdade é que estamos num tempo de viragem e esta notícia é elucidativa.
Onde estaremos daqui a dez ou vinte anos?
quinta-feira, 15 de julho de 2010
HÁ DIAS FUI PASSEAR A ALPIARÇA
Barragem dos Patudos
Casa dos Patudos, de José Relvas
Casas de Alpiarça
Um fabuloso ensopado de borrego no Portal da Vila
Depois, por especial colaboração do Prof. João Serrano, fomos até ao Patacão onde vimos o belo trabalho de limpeza das margens do Tejo e soubemos da candidatura da cultura avieira a Património Nacional.
Almoçámos no Portal da Vila e toda a gente ficou satisfeita com o repasto.
De tarde fomos atá à Golegã, ao Museu da Fotografia Carlos Relvas. Regressámos pela Azinhaga, para vermos a estátua de José Saramago no Largo da aldeia.
Sítios lindos, gente simpática e acolhedora. (Excepção ao dono do Bar da Barragem, pela segunda vez me defrontei com a sua antipatia. Apeteceu-me mandá-lo ir pescar para a barragem em vez de andar a assombrar aquele espaço tão bonito...)
Alpiarça será bonita e terá futuro se as suas elites deixarem de fazer política como se ainda vivêssemos no tempo do Salazar. E se os que lá vivem forem todos da têmpera dos que nos acolheram tão bem.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
SENTIR ... OLHAR...
Kandinsky, Outono na Baviera, 1908
SAUDADES DE TUDO!
Saudade, essencial e orgânica,
de horas passadas,
que eu podia viver e não vivi!...
Saudade de gente que não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfãs e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez até hoje ainda espere por mim...
Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...
Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo,
sede de volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha numa gota
o Oceano,
afogado no fundo de si mesmo..."
Guimarães Rosa
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Fados de Carlos Saura
Cansado de baterias ruidosas que impõem a ditadura da batida, vamos redescobrindo outras sonoridades...
terça-feira, 29 de junho de 2010
OS BOLEIROS DO MUNDIAL
Lá vi o jogo. Sem grande entusiasmo, diga-se. A selecção nacional jogou contra o Brasil e agora com a Espanha usando a mesma estratégia da Coreia do Norte: reforço da defesa, todos atrás da linha da bola, contenção, ver os outros jogarem, à espera de um passe tranviado que permitisse o contra-ataque mortífero. E os meninos mimados, com pés de chumbo, sem força nem garra.
Escrevo isto e sinto azia mental. Que é que estou p'raqui a fazer? Sou mais um dos milhões de treinadores de bancada que tudo sabem menos dar um pontapé numa bola. Coisa que só faço uma vez por ano, quando tenho cá os netos...
E agora, quem vai distrair-nos das trapalhadas das SCUTS, dos aumentos, das reformas, do diabo a sete?
Acabou o Mundial 2010. Continua o Portugal de sempre..
domingo, 27 de junho de 2010
ALPIARÇA À BEIRA DA FALÊNCIA
Alpiarça é um pequeno concelho do distrito de Santarém, criado pouco depois da implantação da República, por iniciativa e influência de José Relvas.
Vejo agora no Jornal Alpiarcense que há uma dívida colossal acumulada por gestões autárquicas ruinosas, que estão a pôr em causa a própria existência do município.
Como foi possível chegar-se aqui?
Custa-me ver assim a minha terra natal!
segunda-feira, 21 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
CANTAR, APESAR DE TUDO
“Por que cantamos”
De Manoel de Andrade para Mário Benedetti(*)
Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço
e já são tantos os caídos nesta guerra...
Se há uma possível emboscada em cada esquina
e temos que caminhar num chão minado...
“você perguntará por que cantamos”
Se a violência sitia os nossos actos
e a corrupção gargalha da justiça
Se respiramos esse ar abominável
impotentes diante do deboche...
“você perguntará por que cantamos”
Se o medo está tatuado em nossa agenda
e a perplexidade estampada em nosso olhar
se há um mantra entoado no silêncio
e as lágrimas repetem: até quando, até quando, até quando...
“você perguntará por que cantamos”
Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida e
porque um olhar ampara os nossos passos
Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel
da maldade
e porque nesse embate só o amor é invencível
Cantamos porque é imprescindível dar as mãos
e recompor, em cada dia, a
condição humana
Cantamos porque a paz é uma
bandeira solitária
a espera de um punho inumerável
Cantamos porque o pânico não retardará a primavera
e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada
Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora
e porque as estrelas e porque as rosas
Cantamos porque nos riachos e lá na fonte as águas cantam
e porque toda essa dor desaguará um dia.
Cantamos porque no trigal o grão amadurece
e porque a seiva cumprirá o seu destino
Cantamos porque os pássaros estão piando
e ninguém poderá silenciar seu canto.
Cantamos para saudar o Criador e a criatura
e porque alguém está parindo neste instante
Pelo encanto de cantar e pela esperança nós cantamos
e porque a utopia persiste a despeito da descrença
Cantamos porque nessa trincheira global, nessa ribalta,
nossa canção viverá para dizer por que cantamos.
Cantamos porque somos os trovadores desse impasse
e porque a poesia tem um pacto com a beleza.
E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo
o nosso sonho floresce deslumbrante.
Manoel de Andrade
Curitiba, Maio de 2003
(*)Escrevi estes versos motivado pelo belíssimo poema “POR QUE CANTAMOS” do poeta uruguaio MARIO BENEDETTI. Num tempo em que todos caminhamos sobre o “fio da navalha” me senti, como poeta, implicitamente convocado a também testemunhar por que cantamos.
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Mário Benedetti
terça-feira, 8 de junho de 2010
ADEUS REVISTAS SEMANAIS?
«Nos anos 80 queríamos revistas semanais. E hoje?
Por Susana Almeida Ribeiro
Longe vão os tempos em que as revistas semanais norte-americanas marcavam a agenda. As capas da Time e da Newsweek faziam e desfaziam reputações, pessoas, empresas e instituições. Era o tempo pré-Internet, pré-blogues e pré-redes sociais. Pré-notícias instantâneas em todo o lado. A toda a hora. Era o tempo em que as pessoas esperavam uma semana pelas reportagens, um tempo em que ainda fazia sentido juntar as palavras news e week
É uma piada recorrente. Nos EUA, quando alguém comenta uma notícia que leu na Newsweek, as pessoas perguntam-lhe se tem ido muitas vezes ao dentista. A revista está conotada com as casas dos avós e com os consultórios médicos. Apesar de ter servido de contrapeso liberal à conservadora Time e de ter mostrado sempre mais abertura aos temas da cultura popular, a verdade é que a Newsweek nunca se livrou do estigma de "segunda escolha" face à sua concorrente directa.
Publicada pela primeira vez há 77 anos, a Newsweek passou para o controlo do grupo que publica o The Washington Post em 1961. As décadas de 1980 e 1990 foram os anos de ouro das revistas semanais. Os artigos de capa faziam manchetes e marcavam a agenda das redacções. Todas as segundas-feiras, as revistas semanais chegavam às bancas como o selo de denominadores comuns para a nação.
Nos últimos tempos a Newsweek não esteve isenta de polémicas. A mais recente teve o rosto (e o corpo) da ex-futura-vice-presidente Sarah Palin. Sob o título Como é que se resolve um problema como a Sarah?, a ex-candidata foi fotografada em pose de miss, com uns calções de ginástica e o cotovelo apoiado numa bandeira americana. A capa foi apodada de sexista e mereceu críticas à esquerda e à direita.
Em 2005, a revista viu-se envolvida noutra polémica com um artigo que dava conta de que alguns militares americanos do centro de detenção de Guantánamo teriam alegadamente desrespeitado o livro sagrado dos muçulmanos ao atirarem um exemplar do Corão para uma latrina. A notícia, que acabou por revelar-se falsa, ateou conflitos no Afeganistão e chegou a fazer vítimas mortais, originando um tardio mea culpa editorial.
Fica igualmente para a história a decisão de não se avançar com a história sobre o affair da estagiária Monica Lewinsky com o Presidente Cliton, que acabou por ser tornada pública pelo Drudge Report, um site norte-americano com links para notícias de media, política e entretenimento. E o resto é história.
Para além destes pecadilhos editoriais, a Newsweek tem acumulado perdas na ordem dos milhões de dólares (29,3 milhões em 2009 e 16,1 milhões em 2008, entre 24 e 13 milhões de euros). Um quarto dos trabalhadores da revista perdeu o emprego nos últimos tempos. De uma circulação de 3,14 milhões de exemplares na primeira metade de 2000, a Newsweek passou para os actuais 1,5 milhões (nos EUA). De acordo com o Audit Bureau of Circulations, a circulação da Newsweek - bem como a da Time - regrediu hoje para os números registados em 1966.
Aproximando-se perigosamente do vermelho, a revista ainda tentou um relançamento no ano passado, altura em que apostou em mais artigos de opinião e mais reportagens de investigação (em vez de se limitar a passar a semana em revista), saindo para as bancas com um novo aspecto gráfico, apelando a um público mais dedicado e com maior poder de compra. Não foi suficiente. No dia 5 de Maio, foi anunciado aquilo que muita gente esperava: a The Washington Post Co. pôs o título à venda. Ainda não se sabe quem estará interessado em comprar a revista nem por quanto se poderá fazer o negócio, embora alguns analistas falem numa soma a rondar os dois milhões de dólares (aproximadamente 1,7 milhões de euros).
"A decisão é puramente económica", disse o director executivo do grupo, Donald E. Graham. "Eu não quis fazer isto, mas não conseguimos ver um caminho sustentável de lucro para a Newsweek", afirmou. "As perdas registadas na revista no período 2007-2009 bateram recordes. Estamos a explorar todas as opções para resolver o problema... No actual clima, a revista talvez se adapte melhor noutro lugar", disse ainda Donald Graham.
O director da Newsweek, Jon Meacham, a cuja falta de visão alguns atribuem a culpa pela queda em desgraça, fez saber recentemente no Daily Show de Jon Stewart que está a ponderar uma série de hipóteses, incluindo comprar o título ele mesmo, apoiado por um grupo de outros investidores. "Se alguém deve assumir a culpa por este fim, esse alguém sou eu - por não ter visto a tempo e não ter reagido da melhor maneira às mudanças introduzidas na nossa indústria", admitiu Meacham.
É isto o princípio do fim?
Alguns analistas consideram que era uma questão de tempo até que as revistas semanais começassem a capitular. Nos últimos anos, especialmente após a crise financeira mundial, o preço dos espaços publicitários caiu a pique e muitos anunciantes começaram a optar por publicitar os seus produtos em publicações dirigidas a nichos de mercado. A Newsweek teve no ano passado menos 26 por cento de páginas de publicidade. Revistas generalistas acabam por sofrer as consequências. A vontade de ser um denominador comum a toda uma nação tem essa desvantagem.
Paralelamente, a concorrência das actualizações ao segundo dos media on-line foi, provavelmente, a estocada final ao império magazinesco. A venda anunciada da Newsweek e - especula-se - a sua eventual transformação numa publicação totalmente digital são o exemplo acabado das transformações ocorridas nos últimos anos no panorama dos media.
"A questão aqui é simplesmente esta: a necessidade de notícias semanais diminuiu consideravelmente", explicou ao P2, num breve comentário por e-mail, Stuart Loory, professor da Faculdade de Jornalismo da Universidade do Missouri.
Os factos estão à vista: a Reader"s Digest entrou em bancarrota no ano passado, a BusinessWeek foi comprada por tuta e meia pela Bloomberg e a US News & World Report passou a publicar escassas dez edições por ano.
O problema reside no facto de já ninguém parecer necessitar de revistas que expliquem o que aconteceu durante a semana. Os jornais - em papel e on-line - fazem hoje análises instantâneas, em grande medida graças aos bloggers que atraem para o seu seio, e isso era a pièce de résistance dos magazines.
"As revistas semanais têm vindo a ser desafiadas a permanecerem relevantes, quer com notícias, quer com análise. Mas a Time parece estar a adaptar-se bem e a lucrar, ao passo que a Newsweek tem sempre ficado atrás da sua rival", explicou ao P2 Rick Edmonds, um analista de media do Poynter Institute. "Estou entre aqueles que pensam que o novo design da revista não resultou e que muitos dos artigos da nova Newsweek eram demasiado opinativos, pecavam por falta de reportagem e não eram assim tão interessantes", indicou Edmonds.
Publicada pela primeira vez há 77 anos, a Newsweek passou para o controlo do grupo que publica o The Washington Post em 1961. As décadas de 1980 e 1990 foram os anos de ouro das revistas semanais. Os artigos de capa faziam manchetes e marcavam a agenda das redacções. Todas as segundas-feiras, as revistas semanais chegavam às bancas como o selo de denominadores comuns para a nação.
Nos últimos tempos a Newsweek não esteve isenta de polémicas. A mais recente teve o rosto (e o corpo) da ex-futura-vice-presidente Sarah Palin. Sob o título Como é que se resolve um problema como a Sarah?, a ex-candidata foi fotografada em pose de miss, com uns calções de ginástica e o cotovelo apoiado numa bandeira americana. A capa foi apodada de sexista e mereceu críticas à esquerda e à direita.
Em 2005, a revista viu-se envolvida noutra polémica com um artigo que dava conta de que alguns militares americanos do centro de detenção de Guantánamo teriam alegadamente desrespeitado o livro sagrado dos muçulmanos ao atirarem um exemplar do Corão para uma latrina. A notícia, que acabou por revelar-se falsa, ateou conflitos no Afeganistão e chegou a fazer vítimas mortais, originando um tardio mea culpa editorial.
Fica igualmente para a história a decisão de não se avançar com a história sobre o affair da estagiária Monica Lewinsky com o Presidente Cliton, que acabou por ser tornada pública pelo Drudge Report, um site norte-americano com links para notícias de media, política e entretenimento. E o resto é história.
Para além destes pecadilhos editoriais, a Newsweek tem acumulado perdas na ordem dos milhões de dólares (29,3 milhões em 2009 e 16,1 milhões em 2008, entre 24 e 13 milhões de euros). Um quarto dos trabalhadores da revista perdeu o emprego nos últimos tempos. De uma circulação de 3,14 milhões de exemplares na primeira metade de 2000, a Newsweek passou para os actuais 1,5 milhões (nos EUA). De acordo com o Audit Bureau of Circulations, a circulação da Newsweek - bem como a da Time - regrediu hoje para os números registados em 1966.
Aproximando-se perigosamente do vermelho, a revista ainda tentou um relançamento no ano passado, altura em que apostou em mais artigos de opinião e mais reportagens de investigação (em vez de se limitar a passar a semana em revista), saindo para as bancas com um novo aspecto gráfico, apelando a um público mais dedicado e com maior poder de compra. Não foi suficiente. No dia 5 de Maio, foi anunciado aquilo que muita gente esperava: a The Washington Post Co. pôs o título à venda. Ainda não se sabe quem estará interessado em comprar a revista nem por quanto se poderá fazer o negócio, embora alguns analistas falem numa soma a rondar os dois milhões de dólares (aproximadamente 1,7 milhões de euros).
"A decisão é puramente económica", disse o director executivo do grupo, Donald E. Graham. "Eu não quis fazer isto, mas não conseguimos ver um caminho sustentável de lucro para a Newsweek", afirmou. "As perdas registadas na revista no período 2007-2009 bateram recordes. Estamos a explorar todas as opções para resolver o problema... No actual clima, a revista talvez se adapte melhor noutro lugar", disse ainda Donald Graham.
O director da Newsweek, Jon Meacham, a cuja falta de visão alguns atribuem a culpa pela queda em desgraça, fez saber recentemente no Daily Show de Jon Stewart que está a ponderar uma série de hipóteses, incluindo comprar o título ele mesmo, apoiado por um grupo de outros investidores. "Se alguém deve assumir a culpa por este fim, esse alguém sou eu - por não ter visto a tempo e não ter reagido da melhor maneira às mudanças introduzidas na nossa indústria", admitiu Meacham.
É isto o princípio do fim?
Alguns analistas consideram que era uma questão de tempo até que as revistas semanais começassem a capitular. Nos últimos anos, especialmente após a crise financeira mundial, o preço dos espaços publicitários caiu a pique e muitos anunciantes começaram a optar por publicitar os seus produtos em publicações dirigidas a nichos de mercado. A Newsweek teve no ano passado menos 26 por cento de páginas de publicidade. Revistas generalistas acabam por sofrer as consequências. A vontade de ser um denominador comum a toda uma nação tem essa desvantagem.
Paralelamente, a concorrência das actualizações ao segundo dos media on-line foi, provavelmente, a estocada final ao império magazinesco. A venda anunciada da Newsweek e - especula-se - a sua eventual transformação numa publicação totalmente digital são o exemplo acabado das transformações ocorridas nos últimos anos no panorama dos media.
"A questão aqui é simplesmente esta: a necessidade de notícias semanais diminuiu consideravelmente", explicou ao P2, num breve comentário por e-mail, Stuart Loory, professor da Faculdade de Jornalismo da Universidade do Missouri.
Os factos estão à vista: a Reader"s Digest entrou em bancarrota no ano passado, a BusinessWeek foi comprada por tuta e meia pela Bloomberg e a US News & World Report passou a publicar escassas dez edições por ano.
O problema reside no facto de já ninguém parecer necessitar de revistas que expliquem o que aconteceu durante a semana. Os jornais - em papel e on-line - fazem hoje análises instantâneas, em grande medida graças aos bloggers que atraem para o seu seio, e isso era a pièce de résistance dos magazines.
"As revistas semanais têm vindo a ser desafiadas a permanecerem relevantes, quer com notícias, quer com análise. Mas a Time parece estar a adaptar-se bem e a lucrar, ao passo que a Newsweek tem sempre ficado atrás da sua rival", explicou ao P2 Rick Edmonds, um analista de media do Poynter Institute. "Estou entre aqueles que pensam que o novo design da revista não resultou e que muitos dos artigos da nova Newsweek eram demasiado opinativos, pecavam por falta de reportagem e não eram assim tão interessantes", indicou Edmonds.
Se esta tendência continuar e se as pessoas comprarem cada vez menos jornais e revistas em papel, não é de estranhar que a própria Time desapareça das bancas. Os conteúdos disponibilizados na Net continuam a ser gratuitos - apesar do fim anunciado das edições livres do britânico The Times e do The New York Times - e a publicidade on-line não estar a crescer ao ritmo esperado (embora seja o único sector onde se prevê crescimento). Em 2009, a edição on-line da Newsweek fez "apenas" oito milhões de dólares de lucro (aproximadamente 6,7 milhões de euros).
Revolução tabletsQual é então o veredicto para o género magazinesco? O próprio Donald Graham admitiu à Newsweek não saber a resposta: "Sabemos há vários anos que as revistas semanais são muito populares entre os seus leitores. Vivemos num mundo muito complicado e as revistas semanais ajudam a compreendê-lo. Onde não conseguimos ter sucesso foi na transição para o digital."
Numa altura em que as plataformas de conteúdos gratuitos se multiplicam e em que as notícias se transformaram em commodities, a questão central é saber se um produto jornalístico é relevante e se se continuará a dar dinheiro por ele. Só o público poderá responder a esta pergunta.
Num recente artigo da Wired, o jornalista Eliot Van Buskirk escrevia que, agora que foi posta à venda, a Newsweek pode ser a "experiência laboratorial perfeita" para o título em dificuldades se reinventar no universo digital. "No advento de uma revolução a partir dos tablets, com um milhão de iPads vendidos em menos de um mês, que tal se um investidor inteligente decidisse fazer da Newsweek uma publicação apenas para tablets, sem edição impressa e com edição on-line paga?".
Para que a revista funcione no universo on-line, será necessário, porém, transformar radicalmente o site, que muitos analistas consideram ter ficado com o mesmo aspecto desde 1999.
Muitos também opinam igualmente que a salvação da Newsweek poderá estar numa fusão com a Slate, a revista on-line do mesmo grupo.
Nas próximas semanas ficará a conhecer-se o destino da Newsweek. O grupo quer ouvir os potenciais interessados e espera que a venda ocorra sem grandes sobressaltos, de forma a que a revista não perca aquilo que tem de mais importante: a sua reputação. "Apesar da Newsweek não estar em bom estado, penso que é muito provável que alguém a compre - o título ainda tem algum prestígio e provavelmente fará sentido em grupos como a Thomson-Reuters ou a Bloomberg", disse ao P2 Rick Edmonds.»
Revolução tabletsQual é então o veredicto para o género magazinesco? O próprio Donald Graham admitiu à Newsweek não saber a resposta: "Sabemos há vários anos que as revistas semanais são muito populares entre os seus leitores. Vivemos num mundo muito complicado e as revistas semanais ajudam a compreendê-lo. Onde não conseguimos ter sucesso foi na transição para o digital."
Numa altura em que as plataformas de conteúdos gratuitos se multiplicam e em que as notícias se transformaram em commodities, a questão central é saber se um produto jornalístico é relevante e se se continuará a dar dinheiro por ele. Só o público poderá responder a esta pergunta.
Num recente artigo da Wired, o jornalista Eliot Van Buskirk escrevia que, agora que foi posta à venda, a Newsweek pode ser a "experiência laboratorial perfeita" para o título em dificuldades se reinventar no universo digital. "No advento de uma revolução a partir dos tablets, com um milhão de iPads vendidos em menos de um mês, que tal se um investidor inteligente decidisse fazer da Newsweek uma publicação apenas para tablets, sem edição impressa e com edição on-line paga?".
Para que a revista funcione no universo on-line, será necessário, porém, transformar radicalmente o site, que muitos analistas consideram ter ficado com o mesmo aspecto desde 1999.
Muitos também opinam igualmente que a salvação da Newsweek poderá estar numa fusão com a Slate, a revista on-line do mesmo grupo.
Nas próximas semanas ficará a conhecer-se o destino da Newsweek. O grupo quer ouvir os potenciais interessados e espera que a venda ocorra sem grandes sobressaltos, de forma a que a revista não perca aquilo que tem de mais importante: a sua reputação. "Apesar da Newsweek não estar em bom estado, penso que é muito provável que alguém a compre - o título ainda tem algum prestígio e provavelmente fará sentido em grupos como a Thomson-Reuters ou a Bloomberg", disse ao P2 Rick Edmonds.»
quarta-feira, 2 de junho de 2010
AMIZADES DA TRETA
Que dizer dos amigos que não são capazes de dizer "estou aqui"?
A amizade é uma palhaçada quando as pessoas que a têm não sabem usá-la.
Então deixemos de falar em amizade e passemos a cultivar uma polida convivência, a caminho da indiferença.
A amizade é uma palhaçada quando as pessoas que a têm não sabem usá-la.
Então deixemos de falar em amizade e passemos a cultivar uma polida convivência, a caminho da indiferença.
terça-feira, 25 de maio de 2010
HISTÓRIAS DA CAROCHINHA
Sergio Ribeiro diz:
«1. O défice e a dívida. Mas qual dívida? Diz o FMI (conhecem?): “A questão em Portugal prende-se com a dívida privada. Estimativas apontam actualmente para uma dívida total do País de 233% do PIB, 74% do sector público e 159% do sector privado”!
2. Houve tempo em que o Estado se serviu do sector privado para conseguir crédito externo; hoje, o sector privado serve-se do Estado para conseguir crédito externo... que os cidadãos terão de pagar com os cortes nos salários e subsídios de desemprego e pensões, com o IVA, o IRS e o mais que inventarem, e sempre carregando mais nos de menores rendimentos.
3. Os bancos nacionais (?) pedem emprestado no exterior para emprestarem no interior, é esse o seu negócio… e nós que paguemos a dívida pública.
4. Fala-se de poupança mas incita-se ao consumo, paga-se cada vez menos de salários mas a ostentação convidando à imitação é cada vez mais escandalosa. De produção, de aproveitamento de recursos nossos, não se fala...»
A história que o Sócrates Coelho nos conta é... muito mal contada!
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